O INÍCIO DE TUDO...
O ano era 1974. Cidade de Nova Iorque, mais precisamente em Forest Hills no Queens, quatro rapazes inconformados com a música da época (glam rock) resolveram montar uma banda e como não sabiam tocar as músicas das bandas que gostavam, em sua maioria o contagiante rock dos anos 60, decidiram então compor e tocar suas próprias músicas.
Em 16 de abril daquele ano fizeram sua primeira apresentação no bar que se tornaria famoso anos mais tarde e seu palco mais conhecido, o CBGB. A platéia, segundo o release do álbum Ramonesmania, era composta de seis pessoas se contado também um cachorro de propriedade do bartender.
As pessoas se perguntavam quem seriam aqueles freakies. Tênis encardidos, calças rasgadas nos joelhos, camisetas sujas, jaquetas surradas de couro preto e cabelos remanescentes da beatlemania. Eram simplesmente aquela que deveria ser a maior banda de rock da história.
Com seus cérebros impregnados de cola, falavam sobre a juventude, sobre alegria, sobre suas experiências, havia algo de sinistro, sombrio, irônico, debochado. O som beirava o tosco mas era impossível ficar inerte frente àquele furacão sonoro que era como um soco nos despreparados. As músicas eram muito velozes, muito curtas, tocadas com muita fúria e não havia intervalo entre elas. O que as separava era apenas uma contagem urrada de um baixista que, em uma fração de segundo, berrava ao microfone: "One-Two-Three-Four". Tudo era sujo e perigoso. Era o novo. E o Rock 'N' Roll nunca mais foi o mesmo.
Um dos meus discos favoritos se chama ROCKET TO RUSSIA, da banda nova-iorquina Ramones. É o terceiro disco da banda, lançado em 77, um ano apenas após o lançamento de seu primeiro disco, e conta com a formação original da banda: Tommy na bateria (e depois produtor de vários discos da banda), Johnny na guitarra, Dee Dee no baixo e Joey no vocal. É um álbum de composições simples, como a grande maioria dos discos dos Ramones, mas conta com clássicos da banda, sempre exigidos nos shows pelos fãs, como: Cretin Hop, Rockaway Beach, Sheena Is A Punk Rocker, Teenage Lobotomy e Surfin' Bird, uma regravação dos Trashmen.
O álbum abre com Cretin Hop, uma música dançante como a própria letra.
Na sequência vem Rockway Beach, um rock bublegum adolescente e maduro ao mesmo tempo.
Here Today, Gone Tomorrow chega pra acalmar um pouco os ânimos, mas por pouco tempo, pois logo vem Locket Love para recomeçar a esquentar o sangue novamente. Isso é necessário porque I Don't Care, com sua letra minimalista e despreocupada pede energia e atenção.
Assim está aberto caminho para Sheena Is A Punk Rocker, We're A Happy Family, Teenage Lobotomy e Do You Wanna Dance (outro cover dos anos 60) que dispensam comentários. Uma sequência de quatro músicas em boa hora do disco para balançar qualquer concreto.
A baladinha I Wanna Be Well nos deixa respirar um pouco, pois é necessário folego para encarar I Can't Give You Anything, uma canção que tem uma das características mais lembradas pelos fãs da banda, a levada surf music.
Ramona vem com uma letra inocente mas que mostra como é feito um bom rock de poucos acordes.
O clima esquenta com o cover Surfin' Bird e o disco fecha com chave de ouro com Why Is It Always This Way?
São menos de trinta minutos de música ao todo, mas o êxtase dura bem mais que isso. É o tipo de disco que a pessoa fica com o encarte na mão olhando a foto da capa, uma foto muito parecida com a foto da capa do primeiro disco da banda, de nome homônimo e considerada pela revista Rolling Stone a melhor capa de disco de rock de todos os tempos. Não há também como não observar as gravuras do encarte que acompanham as letras.
Enfim, freakies ou não, é por discos como este que os Ramones são o que são, uma Instituição de Rock 'N' Roll.
E na próxima semana, atendendo a pedido de um amigo:
TITÃS - CABEÇA DINOSSAURO.
Marcadores: Ramones
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