TITÃS - CABEÇA DINOSSAURO

OS TITÃS

Formada no início dos anos 80, a banda de rock Titãs colecionou sucessos em toda a sua carreira. Inicialmente como Titãs do Iê-Iê, estrearam em 1981 com shows no colégio onde estudavam e em pequenos festivais.

Chamavam a atenção pela indumentária e pela criatividade musical, quer tanto pela sonoridade, quer pelas letras apresentadas, sempre bem elaboradas. Com essa mistura logo despertaram o interesse das gravadoras e já em 1984, e com o nome reduzido, lançaram seu álbum de de estréia e nome homônimo, Titãs. "Sonífera Ilha" caiu no gosto popular e foi, além do primeiro sucesso da banda, o fenômeno radiofônico daquele ano.

Dali por diante foram hits e hits emplacados nas rádios, o que tornou a banda Titãs uma das maiores bandas de rock do país. Algumas alterações em sua formação, vários momentos de glória como nos Hollywood Rock's em que se apresentou, a impagável apresentação junto à banda mineira Sepultura, tocando juntos o sucesso "Polícia", um dos mais perfeitos acústicos MTV já realizados, fizeram dos Titãs uma banda adorada por mais que uma geração de fãs.

Nem mesmo contratempos como a prisão temporária de integrantes da banda (Arnaldo Antunes), a morte do guitarrista Marcelo Fromer e a saída de alguns integrantes, foi o suficiente para desmoronar esse gigante macaco da selva de concreto, concreto aliás lembrado a bom tempo, uma vez que as letras da banda sempre tiveram sua pitada de concretismo, de poesia concreta.

Eles não sabem fazer música... mas eles fazem. Eles não sabem cantar as músicas que fazem... mas eles cantam. E esses são os Titãs. A maior banda de todos os tempos dessa semana no Ouvindo Som.


CABEÇA DINOSSAURO

Outro de meus discos favoritos é o CABEÇA DINOSSAURO, lançado em 1986 e com a formação que mais atuou junta nos Titãs: Charles Gavin na bateria e percussão, Nando Reis no baixo e voz, Marcelo Fromer e Toni Bellotto nas guitarras, Sérgio Brito nos teclados e voz, Paulo Miklos no baixo e voz, e nos vocais Branco Mello e Arnaldo Antunes. A produção é de Liminha, Vitor Farias e Pena Schmidt e assim não é preciso dizer mais nada.

A bolacha vai pro prato, desce a agulha e começa aquele sonzinho de batatinha fritando no óleo quente (desculpa, mas isso não é disco pra ouvir em CD, é na bolacha mesmo e de preferência com fone no ouvido pra não haver interferência externa de som).

A percussão inicial da faixa Cabeça Dinossauro, adaptada de um ritual dos índios do Xingu, anuncia o começo do fim. Letra concretista vociferada por Mello e que nos faz imaginar o que ainda há por vir.
A sequência é AA UU, sucesso de rádio e nos shows. Rotina e esquizofrênia em ritmo frenético. Os neurônios saem do transe e começam a se mover.
Igreja abre as portas para a redenção do rock. Se diziam que o rock estavam em ruínas, esta canção mostra o caminho das pedras para os descrentes.
Quando Polícia chega é como uma blitz mental. O som, a letra e o refrão chegam dando de cassetete nos tímpanos. A essas alturas os neurônios já estão rebelados e não conseguem mais ficar parados.
Estado Violência traz primeiro a cozinha da banda: bateria e contrabaixo dão as caras primeiro. E quando se pensa em por ordem na mente, um grito precede o refrão e é como uma chibatada na espinha dorsal. Não tem mais volta, os neurônios estão em choque.
Um silêncio, dois segundos e A Face do Destruidor traz um hardcore de 38 segundos. O suficiente para fazer qualquer um se enxergar na capa do disco.
Porrada chega para deixar claro que todos merecem alguma coisa, nem que seja porrada. E tome mais porrada nos neurônios.
É nesse momento do disco que a mente pede um copo de água. Talvez por isso Tô Cansado tenha sido colocada no final do Lado A do disco. Mas que cansado que nada, os neurônios que se explodam. É hora de virar o disco e ver do que essa banda ainda é capaz.
O riff inicial de Bichos Escrotos afirma que os neurônios não terão paz novamente. Bichos muito tocou nas rádios, apesar de ser uma canção com radiofusão e execução pública proibidas. É uma canção atualíssima ainda. Ou alguém ai nunca teve vontade de cantar: "cabelinho lambido, olhinho pintado, projetinho de punk, vão se foder", hein?. E qualquer semelhança com seu vizinho emo é mera coincidência. Mas ele não tem culpa, isso é coisa de criação, culpa dos pais.
Família deixa clara a afirmação acima. E cá entre nós, quem nunca passou pelas situações descritas nessa música?
Assim regredimos no tempo e nos encontramos em Homem Primata. Os neurônios já não sabem mais para onde correr. Flashes de ontem e hoje efervescem e borbulham na mente fervilhante e voltamos à realidade.
Só assim para lembrar que a vida continua. Dívidas nos coloca novamente no lugar nos fazendo lembrar da evolução do homem primata ao homem capitalista.
O disco encerra com O Quê. Uma das canções mais especutaculares entre as executadas nos shows da banda. O mais engraçado é que 'o quê' é a pergunta que se faz na maioria das faixas do disco. Os neurônios voltam ao mesmo transe enigmático do início do disco.

A primeira impressão sobre o disco é que se trata de um álbum de música punk, pela temática. Mas em Cabeça Dinossauro os Titãs foram além. A começar pela embalagem do disco: uma capa dupla para uma bolacha apenas, com ilustrações de capa e contracapa de Leonardo Da Vinci e no encarte uma bela sequência de fotos dos integrantes da banda. Cabeça Dinossauro é um álbum importante dos anos 80, que deu uma chacoalhada no cenário brasileiro do Pop/Rock e fez muita coisa ser vista de uma outra forma, elevando o nível do nosso Rock Brazuca.
Um álbum pra se guardar com carinho e mostrar pros filhos, dessa banda chamada Titãs, verdadeiros titãs do nosso, atualmente empobrecido, Rock Nacional. Será que é isso o que eu necessito?

2 comentários:

Parabéns pela matéria é sempre bom ler material de qualidade assim.
Cya

8 de maio de 2007 11:42  

Cacete!!! Vai escrever bem assim lá na casa do caralho.
Mandou muito bem, parabéns.
Mas quero dizer em meu comentário que: Titãs foi a banda que mais idolatrei na vida, sempre acompanhei o lançamento de todos os seus discos fielmente, fui em shows, tenho autografos, paleta do Belloto, sempre tive tudo de Titãs. Talvez por isso, hoje tenho tanta raiva desses mercenários que trairam seus fiéis fãs e se venderam. Parece que depois do acústico MTV o dinheiro subiu pra cabeça e eles passaram a fazer música pros novos babacas que eles arrebataram.
Lembro da tristeza que fiquei quando após o lançamento do Titanomaquia, houve uma parada na banda pra que cada um fizesse seus trabalhos paralelos. Nessa época chegou a correr a notícia do fim dos Titãs, cheguei a chorar.
Hoje, vendo tudo que aconteceu depois disso, fico imensamente triste por não ter acabado alí, pois pra mim Titãs só existe do Titanomaquia (coincidência ou não, o último disco que ainda tem o dedo, e não a voz, do Arnaldo) pra trás, além de alguma coisinha que ainda salva do Domingo.
Abraço Gordo, e mais uma vez, parabéns pelo comentário sobre o Cabeça Dinossauro.

8 de maio de 2007 23:38  

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